Artigo do professor Gustavo Kruschewsky.

Artigo do professor Gustavo Kruschewsky.

Não no país inteiro ainda, mas em grande parte das regiões do Brasil, aconteceu uma virada do eleitorado em seguir, de certo modo, o princípio democrático da alternância do “poder” nessas eleições de 2018. É preciso repetir o referido princípio no segundo turno das eleições presidenciais.

Observe-se que nomes tradicionais – estrelas – da “política” não foram reeleitos. A exemplos de Dilma Rousseff, Eduardo Suplicy, Magno Malta, Eunício de Oliveira, Roberto Requião, Romero Jucá, Ângela Souza aqui de Ilhéus-Bahia e tantos outros. Os eleitores, paulatinamente, estão mudando as suas cabeças na hora de votar.

A alternância nas missões políticas – no “poder” como é popularmente conhecido – é um traço forte em qualquer democracia. O mais importante é que os novos deputados e senadores demonstrem moderação e responsabilidade depois de empossados nos seus cargos.

Um dos grandes problemas na “política” brasileira é o exercício da ditadura setorial. Não tem democracia que resista. Essa ditadura setorial termina sendo em decisões monocráticas, sem ouvir grupos e o povo – nas mãos de uma única pessoa – no corpo interno do “poder”.

Mas, ainda, é preciso mudar o regime de votação! O voto distrital puro ou majoritário deve ser implantado urgentemente no Brasil…A democracia reclama por isso, ou seja, o parlamentar só poderá ser eleito com a sua votação majoritária adquirida pelos votantes do seu distrito eleitoral. Com isso também a comunicação dos eleitores, com o parlamentar que eles elegeram, após as eleições, será bem mais próxima.

Finda as eleições para o “poder” legislativo, resta agora o segundo turno para presidente da República. O primeiro turno Bolsonaro pontificou sendo o primeiro colocado dando de goleada no candidato do partido historicamente histriônico desde quando Lula chegou ao Planalto nos idos de 2003. Os fatos estão aí, hoje preso – além de outros membros de vários partidos – e respondendo processo criminal e prestes a ser condenado em outro processo também criminal nas mãos do brilhante magistrado Sérgio Fernando Moro, nascido no Paraná na cidade de Maringá.

O PT – Partido dos Trabalhadores esteve na “moda” desde os tempos de Lula – quando este abraçou o “poder” na condição de presidente da república! Fez sucesso, temporariamente, foi inteligente, no início de sua caminhada, seguindo inicialmente a linha mestra deixada pelo governo do PSDB, à época que FHC fora presidente da república e criador, com sucesso, do Plano Real que sobrevive até os nossos dias. Com tempo apareceram, através da Lava jato, muitos nomes de “políticos” famosos de vários partidos, inclusive do PT, que cometeram crimes.

O paradigma – dos ocupantes do PT e tantos outros partidos – isso é histórico, foi cultivar na cabeça das pessoas que o seguiam a referência ao nome DEMOCRACIA, utilizando até os nossos dias, como se fosse um histrião, utilizando-se da “política” como uma verdadeira comédia, tudo não passando de fingimento, longe da verdadeira democracia. Viveram qualificando suas ações como democráticas e quase sempre justificaram “medidas autoritárias como necessárias para defendê-la de algum inimigo”.

Depois de oito anos, Dilma substituiu Lula e foi eleita presidente da república federativa do Brasil, exatamente porque o partido cresceu em número de partidários conseguindo arregimentar vários súditos – que recebiam benesses do governo – para o seu quadro.  Depois, Dilma sofreu o impeachment e foi substituído por Temer. E a situação permaneceu e permanece de mal para pior.

O Brasil continua com muitos problemas. Ainda o que nos resta é o Plano Real e uma inflação suportável. Ora, isso apenas é muito pouco para o alcance da felicidade da nação brasileira. Milhares de pessoas, mormente pobres, estão cada vez mais em constante decadência. O pequeno comerciante luta pela sua sobrevivência. O transporte público é tratado com negligência. O sistema de saúde, o desemprego, as redes de educação e a administração pública de quase todos os municípios brasileiros, continuam em constante estado de urgentíssima urgência, porque muitos políticos que estão à frente do negócio público só se descambam para a concupiscência. A lava jato tem sido uma grande providência no combate a toda essa corrupção.

Faz-me  lembrar do renomado escritor português Abílio Manuel de Guerra Junqueiro que viveu no século 19, salvo melhor juízo, escreveu as palavras que se seguem referindo-se à política e à sociedade Portuguesa de antanho: “Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, aguentando pauladas, feixes de miséria, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai…Uma burguesia cívica e corrupta até a medula, não discriminando já o bem do mal…Que descamba na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a,  veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo… Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo…A justiça ao arbítrio da política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas…Partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero”. Claro, hoje Portugal é um país que está bem melhor do que dantes, o povo deve ter aberto os olhos e curado da cegueira.

Portanto, aqui no Brasil é preciso alijar dos poderes representantes dos partidos “políticos” que já tiveram oportunidades em exercícios de missões públicas e deixaram o país no estado social e político que se encontra. O PT – partido dos trabalhadores através de Lula e Dilma – presidiu o país durante 14 anos aproximadamente, seguido de Temer do PMDB até os nossos dias.  Mesmo se tendo alguns fatores positivos nas gestões passadas, deram-se por passageiros, não foram suficientes, o que resta mesmo é toda essa crise geral nos diversos setores da sociedade brasileira, e a quem se deve? Precisa dizer? Os fatos estão aí. É um absurdo e salta aos olhos ouvir do candidato do PT ao Planalto de que ele – se for eleito presidente da república –  irá resgatar a situação vexatória que se encontra o nosso país, sabendo que essa situação é fruto de más administrações passadas, mormente dos seus líderes que se comportaram como verdadeiros áulicos atingindo de morte a nossa democracia e por efeito o povo brasileiro. 

VAMOS FAZER VALER NO SEGUNDO TURNO O PRINCÍPIO DEMOCRÁTICO DA ALTERNÂNCIA DOS PODERES, sem manipulá-lo mais, a não ser que seja para retornar ao status quo do parágrafo 5º do art. 14º DA NOSSA CONSTITUIÇÃO FEDERAL que na versão original não permitia recondução para presidente, governador e prefeito. O mesmo deve acontecer com os cargos de deputados, senadores e vereadores. É preciso acabar com a perpetuação nas missões legislativas e executivas no Brasil.  

Segundo informações, a versão original da CF de 1988 foi proibitiva, no parágrafo 5º do art. 14º no que concerne à reeleição de Presidente, governador de Estado, do Distrito Federal e prefeito. Mas, através de uma EMENDA constitucional, por iniciativa de Fernando Henrique Cardoso, caiu por terra a proibição e ficou permitido aos detentores dos referidos cargos a possibilidade de se candidatar a mais quatro anos de mandato. Essa mudança permitiu a FHC ser mais quatro anos o presidente da república federativa do Brasil. Por essas e outras que é preciso mudar – não importa o partido –  até se encontrar verdadeiros políticos democratas que não visem interesses próprios querendo se perpetuar no “poder”.  

O POVO QUE É O DONO DA BOLA, SE O NOVO NÃO PRESTAR CAIRÁ NA MALHA DO IMPEACHMENT.